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sábado, 29 de outubro de 2011

FAZENDO AMIGOS: MC BOTA COM BURACO DE BALA

Márcio Bahia (Peixe): Salvador - São Paulo - Salvador





















Fotos e texto: Márcio Bahia


Tudo começou no sábado (01-10-11) logo cedo. Acordei com vontade de ir ao salão duas rodas em Sampa, porém a vontade não era simples, pois queria ir de moto.

Possuo uma HD 883 ano 2009 apelidada de Guaraguá. Há pouco tempo havia trocado o pneu trazeiro cujo primeiro durou 15.000km. Também havia trocado o filtro e o óleo, então meu próximo passo de preparação para a viagem era o mais difícil, convencer minha esposa que seguir SSA x Sampa sozinho de moto em uma viagem de mais de uma semana não seria nenhuma loucura. Minha esposa é maravilhosa e compreendeu a minha necessidade.

Próximo passo era roteirizar meu percurso. Saber em quantos dias faria a viagem, onde dormiria por qual BR seguir etc.

Decidi que faria esta viagem pela Br 116, pois pela Br 101 eu já conhecia. Defini algumas cidades para pernoitar e que faria a vigem de ida em três etapas. Seriam 1950 km’s divididos pelos três dias. Minha programação não deu certo em relação as cidades para pernoite, pois consegui adiantar um pouco no primeiro dia.

Primeiro dia de estrada – SSA x Teófilo Otoni (910 km’s)
Acordei as 05:30h arrumei toda a bagagem e as 06:30h parti. Logo na saída de SSA, pela Luis Eduardo Magalhães encontrei um grande congestionamento devido a um acidente de moto. Vi o piloto na maca entrando no carro da SAMU. Já foi minha primeira emoção, faria uma viagem longa e de cara me deparo com um acidente de moto. Pista liberada e logo a frente o primeiro pedágio em Simões Filho. 

Fica uma dica em relação a como pagar os pedágios: com as luvas se torna difícil abrir carteira, pegar dinheiro no bolso, moedas etc. Então coloquei R$ 15,00 em moedas de R$ 1,00 dentro de uma pequena sacolinha onde ficava guardada no bolso do meu colete, então no pedágio eu entregava a sacolinha para o cobrador e todos prontamente retiravam o dinheiro do pedágio, colocavam o troco e a nota, fechavam a sacolinha e eu seguia a viagem com muito mais agilidade. Valeu a pena. 

A saída de Feira de Santana pela Br 116 tem um fluxo bastante intenso de caminhões, neste trecho o motociclista precisa ter atenção redobrada.

Neste primeiro dia o trecho mais complicado e perigoso de se rodar foi entre Jequié e Vitória da Conquista. Foram inúmeras vezes em que caminhões fizeram ultrapassagens em locais indevidos, sem qualquer respeito as faixas de ultrapassagem. Consegui contar mais de 20 absurdos entre carros e caminhões. Alguns carros pequenos ainda dividiram a pista comigo, me forçando a quase sair pelo acostamento. A PRF precisa passar mais por lá.

Cheguei em VDC as 12:00h, almocei, rodei por toda cidade, pois há anos não pisava naquela terra e, por volta de 13:30h, continuei rumo a Minas Gerais. Inicialmente minha idéia era pernoitar em Medina-MG, mas como as condições da estrada de Minas Gerais, mesmo sem qualquer pedágio, eram boas então rodei até Teófilo Otoni. Cheguei as 18:00hs. Fiquei hospedado no Hotel das Palmeiras na própria BR. Hotel muito bom, excelentes acomodações, garagem, bom café da manhã. Quarto individual custava R$ 120,00, porém dei a velha chorada e fechamos por R$ 80,00. Indico a qualquer um que queira pernoitar em Teófilo Otoni. 


Segundo dia de estrada – Teófilo Otoni x Volta Redonda (740  km’s) 
Durante toda a madrugada Teófilo Otoni esteve sob uma intensa chuva e pela manhã não foi diferente. As 08:00hs, após o café da manhã, segui estrada sob uma intensa chuva e até Caratinga – MG só consegui rodar ao limite de 80 km/h. 

Durante a travessia pelas estradas de Minas Gerais fica uma dica: em toda cidade existe radar com limite de velocidade a 40 km/h. Tudo bem que a maioria está quebrada, mas alguns funcionam e multam, então, em Minas, é ficar ligado nos radares.

Passando a região das chuvas chegou o trecho da Br 116 e Br 393 com muitas pistas interditadas para obras de melhorias das concessionárias. Em 04 pontos fiquei parado entre 05 e 25 minutos aguardando liberação da pista, pois apenas passava uma faixa de cada vez. Fora isto foi um trecho tranqüilo e sem surpresas.

Devido aos contratempos de clima e obras apenas cheguei a Volta Redonda as 17:45 h e segui em direção a saída para Sampa para pernoitar. 

Em Volta Redonda me indicaram um hotel / pousada de nome Santa Helena que fica próximo a saída para a rodovia presidente Dutra que não indico a ninguém. Custou R$ 70,00 sem qualquer estrutura. Quarto horrível, sem o mínimo de conforto, TV de 14’, ventilador de teto, café da manhã foi um pão ruim com margarina, apresuntado e queijo. Não havia suco, frutas, ovo etc. Apenas pão e bolo. Lamentável.

O ponto positivo da minha estadia em Volta Redonda é que fui ao estádio Raulino de Oliveira e pude prestigiar o clássico Duque de Caxias X Paraná com 24 pagantes e um frio de lascar. Ninguém me informou que fazia frio, então fui da mesma forma que vou a Pituaçu, bermuda e camiseta. Na volta de moto do estádio pro hotel eu não congelei por pouco.

Terceiro dia de estrada – Volta Redonda X São Paulo (340 km) 
As 08:00h e depois de um péssimo café da manhã, continuei meu percurso rumo a Sampa. Sem qualquer tipo de problemas enfrentei a Dutra de forma tranqüila e sem nenhum contratempo. Apesar de muito caminhão, a parte mais chata da Dutra são os 05 pedágios com o custo total para moto de R$ 13,90 que passamos até Sampa. Cheguei a São Paulo as 11:30h e daí adiante foi só reencontrar os amigos, tomar algumas geladas e curtir o salão duas rodas. 

Saí de SSA com tanque cheio e parei mais 16 vezes na maioria das vezes abastecia, mas a idéia também era esticar as pernas.

Toda rodovia pedagiada possui uma base de apoio a nós consumidores. Banheiros limpos, água, fraldário etc. Utilizem este apoio, vale a pena.





Segue relação de pedágios SSA x Sampa (Br 116):


Após 06 dias aproveitando São Paulo refiz meu roteiro de volta.
Resolvi seguir via Belo Horizonte, passar por Prado no sul da Bahia e seguir para SSA.

Primeiro dia de estrada (volta) – São Paulo x BH (590 km) 
Terça feira, 11/10, as 07:00hs segui pela rodovia Fernão Dias em direção a BH. Muita chuva nos primeiros 200 km. Minha velocidade máxima até mediações de Pouso Alegre – MG foi de 80 km/h.
Cheguei a BH as 14:30hs e as 15:00hs caiu uma forte tempestade que resultou em falta de energia e queda de mais de 80 árvores inclusive uma delas tombou em cima de um motoboy causando sua morte. Belo Horizonte parou.

A noite fui ver Deep Purple em uma casa de show de BH.

Fiquei hospedado na casa de amigos e aproveitei a cidade no feriado de 12 de outubro, fiz turismo com amigos que me hospedaram. Soube que BH possui vários albergues a partir de R$ 30,00 e que vale a pena.  


Segundo dia de estrada (volta) – BH x Nanuque (610 km)
Quinta-feira, 13/10, as 07:00h segui pela Br 381 sentido Ipatinga. Br 381 com muitas curvas, muitos caminhões. Atenção redobrada neste trecho. Depois de Governador Valadares segui pela Br 116 e mais uns 150 km senti a moto saindo de lado, algum problema havia. 

As 12:00hs parei em Teófilo Otoni e para minha sorte em frente de onde parei havia um membro do Asas de Aço – MC de Teófilo Otoni que prontamente me indicou a oficina que eles levam suas motos. 
Foi o rolamento que foi pro espaço, então trocamos e tudo certo, porém abrimos a caixa de transmissão e o óleo vazou sem que eu percebesse.

Só consegui sair de Teófilo Otoni as 16:30 hs, então como ainda faltavam 350 km para o Prado resolvi dormir no meio do caminho em Nanuque.

Cheguei as 18:00hs e após conhecer a noite Nanuquense fui dormir.
Fiquei hospedado no hotel Giropok. Hotel no centro, com garagem e diárias a partir de R$ 25,00 (quarto sem banheiro). Fiquei num AP com ar condicionado e paguei R$ 50,00. Café da manha bem simples, mas meu foco era outro.

Terceiro dia de estrada (volta) – Nanuque x Prado (180 km) – 
Sexta feira, após a noite Nanuquense acordei com um pouco de ressaca e só consegui sair as 10:00hs. Logo na saída percebi um barulho diferente vindo da caixa da transmissão, mas resolvi continuar assim mesmo, seriam mais 180 km e no Prado veria o problema.

Faltando 10km para chegar no Prado me lembrei que o mecânico de Teófilo Otoni havia mexido na caixa de transmissão e que poderia ter deixado o óleo escapar.

Dito e feito, chegando a Prado parei em uma oficina (Prado Motos) cujo proprietário, Breno, é membro do Constituinte MC. Na hora foi constatado que, por falta de lubrificação, o tensionador da corrente da transmissão havia se desgastado e só outro para poder continuar.

Não havia outra saída, encomendei a peça a um grande amigo que estava em BH. Ele enviou via Sedex no sábado. A peça apenas chegou na quarta-feira a tarde, então preparamos a moto para no dia seguinte eu seguir viagem.

Quarto dia de estrada (volta) – Prado x Itabuna (360 km)
Quinta feira, 20 de outubro, depois de 06 dias no Prado finalmente continuei viagem e segui com a intenção de chegar a Salvador, porém depois de rodar 100 km e já próximo de Itabela o barulho novamente voltou, para meu desespero era o mesmo problema vindo da caixa de transmissão.

Liguei para o Breno no Prado e ele entrou em contato com o Ademar (Presidente do Os Notáveis – MC) de Eunápolis. Em menos de 20 minutos Ademar chegou ao local. Colocamos minha moto sobre a carroceria do seu carro e a levamos para a oficina Adilson Motos cujo seu proprietário, Adilson, é presidente do Veteranos do Asfalto MC em Eunápolis.

Adilson, muito engenhoso, criou uma solução para meu problema e no final da tarde minha HD já estava funcionando.

Um abraço também para Calixto do Pequenos Estradeiros MC também de Eunápolis pelo total apoio.  
Ainda no mesmo dia segui viagem rumo a Itabuna e, após contato de Ademar, fui recepcionado por Wallace e Gregório do Santa Cruz MC. Noite de muita chuva em Itabuna, então fui direto para um hotel escoltado pelo Santa Cruz MC.

Hotel Distak no centro da cidade, quartos simples com e sem ar condicionado. Negociando conseguimos diárias a partir de R$ 40,00. Hotel com garagem e bom café da manha.   

Quinto dia de estrada (volta) – Itabuna x Salvador (Via ferry 340 km) 
Sexta-feira, 21 de outubro. Segui até a saída de Itabuna escoltado por Gregório do Santa Cruz MC.
Sob muita chuva por todo caminho e através da BR 101 cheguei a Santo Antonio de Jesus sem maiores problemas, viagem tranqüila com estrada boa. 

Pouco depois de Sto Antonio virei a direita para pegar a BA 028. Logo na entrada da BA encontramos estrada bastante ruim, porém com homens trabalhando na pista. Muita chuva com estrada muito ruim é igual a velocidade bastante reduzida e atenção triplicada. 

A estrada continua ruim até a entrada da Ilha. Nos 23 km’s até o terminal de Bom Despacho a estrada é boa.

Cheguei as 14:30h ao terminal, porém devido ao temporal o ferry boat apenas saiu as 16:00hs. Durante a travessia de 01:30hs precisei segurar a moto por diversas vezes, pois como a maré estava forte a moto ameaçava cair. Custo do ferry em dia de semana foi de R$ 13,80.

Não houve grande distancia entre postos de combustível. Minha moto roda, no máximo 190 km com um tanque e quando ela passava de 130 km rodados eu já procurava um posto geralmente de bandeira conhecida. 

Pela rota que segui de São Paulo a Salvador passei pelos seguintes pedágios:



Rodei um total de 4.306,60 km’s em 20 dias. Consumi 216,85 litros de combustível fazendo uma média de 19,6 km/l.

Em geral procurei fazer uma velocidade de cruzeiro de 130 km/h, mas procurando apreciar, parar e fotografar os locais que me agradassem.

Torço para que todos os motociclistas consigam fazer, sozinho ou em grupo, uma viagem neste estilo. Conhecendo cidades, pessoas e o verdadeiro espírito motociclista. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Notavél triciclo Harley Davidson

Galeria, Harley Davidson

Faz tempo que a Harley disse estar fazendo este triciclo, mas ele nunca apareceu. O grande barato deste projeto é que ele tem a manobrabilidade de uma moto, no entanto poderia ser pilotado sem capacete em muitos países (o que não era o caso do Brasil). Anunciado em 1998, esta máquina Harley Davidson foi apresentado para ir direto para o museu.
Este protótipo foi construído em 2006 e na mesma época vazaram informações sobre ele, algumas óbvias, como a constatação de que ele usaria um motor de dois cilindros em V inclinado a 45º e refrigerado a ar. O triciclo se chamaria Penster e foi desenhado pelo famoso designer de carros John Buttera, que o deixou com uma cara invocada de Hot Rod. Em 1998, este seria um projeto um tanto quanto avançado (imagine que ainda não existiam os triciclos da Can Am por aí), algo surpreendente para uma marca tradicional como a Harley Davidson.
Para ver um Penster de perto (aliás, os dois únicos existentes) é preciso visitar o museu da Harley Davidson, nos Estados Unidos. Isso porque o projeto foi descontinuado e nada mais foi dito sobre ele. Em seu lugar, os catálogos da marca americana apresentaram o Tri-Glide, que não passa de uma gigantesca Ultra Glide (que já parece um carro com tantos apetrechos) com duas rodas traseiras – brochante.

Elas são notáveis



Moto GP de Indianápolis

Esta gatinha não está apenas fazendo pose. Elena Myers é a menina dos olhos da Suzuki e não apenas por ser linda, mas também é uma ótima piloto. Ela foi a primeira garota na história a ganhar uma corrida da AMA Pro Supersport e agora dará algumas voltas em Indy durante o Moto GP.

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No último MotoGP da Alemanha, as famosas Paddock Girls não apareceram por aqui. E nem apareceram por lá, vide que o álbum oficial do MotoGP só tinha 12 fotos. Mas dessa vez trouxemos algo melhor. Como diriam os americanos: Oh, yes!Tivemos a vitória de Casey Stoner, mas no paddock tivemos de tudo: garotas RedBull que te dão asa, garotas policiais da Suzuki, garotas estilosas da Ducati e um novo ângulo de tirar fotos: por baixo!


[MotoGP Oficial]

As mais notavéis. Agora em vídeo


Bem, o MotoGP em Laguna Seca aconteceu há duas semanas e já até colocamos uma galeria de fotos das famosas Paddock Girls. Mas como sol, motos e mulheres bonitas nunca são o suficiente, apresentamos um vídeo com as  garotas do MotoGP.
[Motorcycle.com]
máquinas

Rotas Por Ricardo Lugris

O sol da tarde chilena naquele último dia do ano brilhava com intensidade em nossos olhos através das viseiras de nossos capacetes.

Tudo se passou muito rapidamente, com uma simplicidade desconcertante:
Em uma ampla curva, onde o cascalho mais grosso tinha sido empurrado para a sua tangente, Bernard percebe um homem a cavalo.
O animal, assustado com a passagem da primeira moto, corcoveia.

Isso é o suficiente para que Bernard se distraia por uma fração de segundo na entrada da curva.
Sua moto, uma GS 1100 pega a faixa de cascalho grosso e perde aderência.
Ele, assustado, faz o erro mais fundamental em uma estrada de rípio: freia com vigor.

A GS derrapa, se atravessa, meu parceiro vai ao chão de frente, violentamente.


A moto passa rolando sobre as costas de Bernard e vai se deter em um canal lateral a alguns metros da estrada.

Eu, que venho em minha GSA 1150 logo atrás, assisto ao breve porém, angustiante espetáculo desde o camarote altamente improvisado e instável de minha moto.

Também estou entrando na curva e reduzo as marchas para poder para o mais rapidamente possível..
Quando passo, de canto de olho vejo Bernard imóvel, de bruços com a cara enterrada no chão.

Angustiado, consigo parar minha GSA a uns 15 metros mais à frente.

Christelle, em sua GS 650 Dakar que andava na frente, tinha continuado por uns 200 metros até que percebeu que seu marido não a seguia. Enquanto corro até Bernard, digo a ela que traga o kit médico. Bernard já se erguia com o rosto bastante ensangüentado.

Por sorte, a moto ao rolar sobre ele não o atingiu nas costas e sim, no capacete.

Neste momento, meses de preparação, organização, planejamento no envio das três motos da Europa para o Chile se esvaíam na rapidez de um instante de desatenção.

Durante semanas, organizamos esta viagem pela América do Sul, meu continente, com Bernard e Christelle, um casal de amigos franceses, proprietários de uma concessionária BMW em Chantilly, onde moro.

Cedo, nesse mesmo dia, Bernard tinha removido a parte de proteção maxilar de seu capacete, pois preferia sentir o prazer do vento na cara viajando com um Jet. Fiz a observação de que poderia ser perigoso. Agora, ele estava infelizmente comprovando esse risco.

A ausência de proteção no rosto causou-lhe ferimentos generalizados na face e, sobretudo no nariz que parecia fraturado


Um dos primeiros a se deter para assistir era um médico alemão que imediatamente diagnosticou que os ferimentos de Bernard eram de pouca gravidade, apesar da aparente fratura do nariz.
Feito o curativo, retiramos toda a bagagem da GS acidentada para poder levantá-la da fossa onde se encontrava praticamente enterrada em lama e água.
As malas tinham sofrido um pouco, a “top case” tinha-se desprendido da moto. Fora isso, os danos eram mínimos, considerando a violência da queda.

Fui retirar minha moto que tinha abandonado, na pressa, sem muito cuidado, à saída da curva.
Na pressa de ajudar Bernard, deixei minha moto em superfície irregular, com ângulo pronunciado para a direita.
Ao montar na minha GSA, ela tombou para a direita, lado onde fica impossível segurá-la.


Pareceu-me totalmente ridículo que com meu parceiro acidentado, eu bestamente, fizesse tombar minha moto para acrescentar mais problemas como se aqueles que já tínhamos não fossem suficientes.
Levantamos minha moto com um pisca e o farol de neblina direito quebrados.
Um episódio curioso foi quando um ônibus deteve-se e o motorista desceu com um rolo de algodão e água-oxigenada.

Christelle começou a gritar, dizendo- me que ele iria passar álcool no rosto de Bernard.

Tratei de tranqüilizá-la, explicando do que se tratava.
Toda essa situação mexeu muito com a esposa de Bernard.
Ela já tinha tido problemas anteriores no ripio e seu medo da estrada de terra vinha aumentando a cada dia nesta viagem.

Vários carros se detiveram para oferecer ajuda. Agradecemos.
Não pude deixar de notar como é bonita a solidariedade nestas paragens remotas.
Ela bem que poderia ser um produto de exportação para os países europeus, pensei.
Terminados os reparos mais urgentes, seguimos viagem, não sem antes mostrar nosso apreço a todos aqueles que tinham nos ajudado, seja levantando as motos, inclusive a minha, e com os curativos.
Bernard seguiu na frente fazendo claramente um grande esforço para não se deixar afetar pelo medo após a queda.

Prova de sangue motociclista.

Coloquei-me logo em seguida para deixá-lo rodar em seu próprio ritmo enquanto recuperava sua confiança e deixava dissipar a carga de adrenalina. Dessa forma, eu poderia também observar seu comportamento e concentração em uma superfície de cascalho bastante instável.

Preocupado com a evolução de Bernard na estrada e absorvido por minha própria condução, esqueci-me completamente de Christelle. Nossa idéia era de fazer uma pausa de abastecimento em Puerto Rio Tranquilo, um lindo vilarejo com ares pitorescos junto ao imponente Lago General Carrera e rodeado de montanhas com seus cumes gelados.

Mal sabia eu que ali passaríamos nossa noite de Ano-Novo e que esse seria o ponto mais ao Sul que chegaríamos nessa viagem pela Argentina e Chile.

Uns vinte quilômetros após o local do acidente e uns cinco antes de Rio Tranquilo, perdemos de vista a 650 GS Dakar de Christelle.

Após a queda de Bernard, percebi que ela avançava com velocidade muito reduzida, sem muita confiança na aderência de seus pneus.

Chegamos, a Rio Tranquilo com muito vento em uma irritante estrada de ripio solto. Aquele que faz dançar a moto... Fomos, Bernard e eu, diretamente ao Posto de Gasolina para abastecer e comprar uma garrafa de água, pois eu morria de sede.

Quando volto, meu parceiro me pergunta se tinha visto a Christelle. Será que ela ficou tirando fotos? Pergunta ele. Entreguei-lhe a garrafa de água. (ele parecia precisar muito mais dela do que eu) e disse que iria procurá-la.

Minha apreensão foi aumentando à medida que meu odômetro mostrava quilômetros em sucessão e não via a GS 650 Dakar.
A apenas umas dezenas de metros de onde tinha visto minha amiga francesa pela última vez, sobre uma ponte, encontrei-a com o guidão e a dianteira de sua moto completamente encaixada na grade de ferro de proteção da ponte.

Disse-me que tinha se assustado com a passagem de uma camioneta e tinha errado a saída da curva.
Perguntei se tinha se machucado.
Disse que não, mas sua moto tinha rompido todos os cabos elétricos, arranque, luzes e painel.
A polia que serve para puxar o cabo do acelerador no punho tinha-se pulverizado em vários pedaços.

Parei um carro que passava na direção da vila e pedi ao motorista que avisasse Bernard no posto de gasolina que Christelle estava bem, mas que sua moto estava em pane.
Bernard chegou alguns minutos depois. Não entendeu bem a mensagem dada pelo motorista em espanhol e por via das dúvidas, decidiu vir até nós.

Apesar do inchaço de seu rosto que mostrava os dois olhos roxos, e que lhe dava um aspecto um tanto quanto engraçado de um graxain, além de sua evidente dor pelo corpo todo, pôs-se a trabalhar na moto de Christelle com seu costumeiro bom humor e a técnica de um grande mecânico de motocicletas.

Consertou rapidamente os cabos, recuperando o starter e as luzes. Nos dedicamos, então a procurar pelo chão os pedaços da polia. Encontramos quatro. Faltou-nos um. Aqui a coisa se complicou.
Dado o stress habitual no funcionamento dessa peça, não acreditávamos que com cola pudéssemos recuperá-la.
Com um “tie rap” Bernard improvisou uma argola que permitiria a Christelle de puxar diretamente o cabo do acelerador e isso nos daria a possibilidade de percorrer os quinze quilômetros até a vila.
Rio Tranquilo, como seu nome bem indica, é um aprazível vilarejo no meio onde vivem não mais do que 750 almas.
Junto ao Posto de Gasolina, conseguimos alugar uma confortável cabana com dois dormitórios e uma bem instalada cozinha.

Iríamos passar nossa noite de Ano-Novo nesse lugar.

O moral estava muito baixo. Christelle estava psicologicamente arrasada. A visão de seu marido no chão a bloqueou totalmente e ela dizia não ser capaz de continuar pilotando sua moto no rípio.
Além do mais, sua moto, bem como a GS 1100 de Bernard, tinha sérios problemas técnicos.

Como iríamos resolver o problema do acelerador da Dakar de Christelle?
Decidi que o melhor seria esquecermos das motos por algumas horas e concentrar-nos em nossa celebração de ano-novo.

Fomos juntos até um pequeno armazém, o único do lugar, para verificar o que poderíamos preparar para nosso jantar de fim de ano.
Uma garrafa de champanha tinha viajado na moto de Bernard desde a França e sobrevivera milagrosamente ao acidente.
Outra garrafa viajava comigo para ser consumida quando chegássemos a Ushuaia.
As possibilidades naquele pequeno armazém de vilarejo não eram muitas.

Para melhorar o astral de todos, dentro do que se oferecia naquele pequeno lugar, decidi preparar um frango ao molho de alho e limão, uma receita marroquina que acreditava conhecer de memória.
Disse aos meus amigos franceses que esquecêssemos as motos por aquela noite.

O fim de tarde chegava bonito, com nossa cabana de frente para o lago e um pôr-do-sol maravilhoso.

Bernard, apesar de machucado e com dores em todo o corpo, preferiu se ocupar de sua moto.
O pára-cilindros estava completamente retorcido com o impacto da queda e batia no “telelever” da suspensão.

Enquanto fazia minhas compras, comentei com o dono do armazém o por quê de nossa presença em Rio Tranquilo e de nossa estada um tanto quanto “forçada”, naquele adorável lugar.
Juan, como se chamava o dono do boteco, escutou atentamente o que eu lhe contava e, ao final de minha explicação, pediu para ver a moto.
Veio até nossa cabana e, sob o olhar desconfiado dos Franceses, analisou a situação da Dakar.
Disse-me em seguida que poderia inventar algo para tentar solucionar o problema e fazer a moto ser capaz de rodar, apesar de seu mecanismo de acelerador estar completamente destruído.
- Sabe moço, em Rio Tranquilo estamos a muitos quilômetros de um lugar com possibilidades.
Passamos isolados todos os invernos e, já que nossos recursos são poucos, precisamos, sobretudo ser criativos.

Consultei Bernard sobre a possibilidade de ter o dono do armazém fuçando na moto de Christelle e ele, mecânico e dono de concessão BMW, não pareceu muito animado com a idéia.
Argumentei que, de qualquer forma, não teríamos nada a perder, estávamos ferrados mesmo!
Disse a Juan Boteco que ficasse a vontade para inventar o que ele achasse mais conveniente.
Confesso que eu não acreditava que o discurso de Juan Boteco fosse se transformar em ação.
Desde a cozinha da cabana, enquanto cozinhava nosso jantar de fim de ano, eu observava as idas e vindas de Juan.

Vinha, estudava a moto, media e voltava ao seu galpão. Depois de algumas travessias do pátio que separava o armazém da cabana, fiquei curioso e resolvi visitar sua “oficina” para ver os recursos que ele poderia ter ali.
O que encontrei foi a maior concentração de quinquilharias e ferro-velho que jamais imaginei em minha vida.
Caixas com parafusos e pregos enferrujados, arruelas, porcas, pinos, eixos, latas, etc. (Nunca o etcetera foi tão bem aplicado em um texto.).
Quanto a ferramentas, Juan Boteco parecia estar bem equipado. Até uma multi-ferramenta Demel estava ali, à sua disposição.

Nesse momento, vi que ele falava sério quanto à sua disposição de encontrar uma solução para nosso problema.
Disse a ele que traria a Dakar para a porta de sua oficina para que ele não tivesse que continuar a fazer as idas e vindas.
Trouxe a moto e fui me ocupar de meu jantar. Deixei-o concentrado em “bolar” um mecanismo que permitisse acelerar decentemente a GS 650.
Já que o astral não estava nada bom, comprei uma garrafa de Pisco Chileno e fiz para nós um “pisco sauer”, uma espécie de caipirinha à chilena para levantar o moral de meus companheiros.
Afinal, estávamos a poucas horas do final do ano, em um lugar lindíssimo e, apesar das dificuldades, era sempre um privilégio estar ali.

Quando saí para levar a bebida a Bernard, observei que ele não se encontrava nada bem emocionalmente.
Ambos, Christelle e Bernard perceberam que não poderiam continuar avançando em direção ao sul da Patagônia em estradas de terra e cascalho, sobretudo pela Ruta 40.
Bernard disse-me que lamentava enormemente, pois eles estariam irremediavelmente comprometendo minha viagem e meus planos de chegar a Ushuaia.

Voltei a cuidar de nosso jantar para não pensar muito no assunto e para não transparecer minha enorme frustração e, sobretudo para evitar correr o risco de descarregá-la em meus amigos, já individualmente abalados com os acontecimentos daquele dia e seus desdobramentos.
A verdade é que nenhum dos dois tinha condições técnicas de percorrer as estradas de terra e rípio por falta de experiência nesse tipo de superfície.
São ambos bons motociclistas, mas nunca saíram do asfalto. Na Europa, onde eles pilotaram por tantos anos, as estradas de terra são praticamente inexistentes.

A responsabilidade por ter negligenciado este aspecto tão importante, quando os convidei para se juntarem a mim na América do Sul, no que seria a viagem de meus sonhos, é totalmente minha.
Nessas considerações que povoavam meus pensamentos enquanto picava cebola, descascava alho, espremia limões e me dedicava febrilmente ao que eu esperava ser um bom jantar de ano-novo, esqueci-me completamente de nosso assessor para assuntos técnicos aleatórios, o Juan, híbrido de dono de boteco e engenheiro “honoris causa”.

Fui dar uma espiada e ele parecia ter encontrado uma solução bastante razoável para o problema da Dakar.

Enquanto isso, para se ocupar, Bernard tinha desmontado completamente sua moto e, utilizando um martelo, colocava o protetor dos cilindros de volta à sua posição original.
Vendo-o martelar daquele jeito, pensei que deveria ser uma boa forma de descarregar sua frustração.
Meu jantar progredia com um aroma convidativo. Consegui até um punhado de coentro fresco que daria o toque final ao meu frango marroquino preparado nos confins da Patagônia chilena.
A proprietária da cabana que estávamos ocupando, com sua habitual hospitalidade sulina veio perguntar se precisávamos de algo mais. Perguntei se ela teria vinho para vender.

Trouxe-nos duas garrafas de bom vinho tinto Chileno. De presente!
Nossa tristeza e frustração em não poder continuar rumo sul não nos impediu de apreciar o estupendo pôr do sol que, como para nos consolar um pouco, derramava sua luz horizontal sobre as janelas de nossa cabana.

Juan, nosso mecânico improvisado, veio nos chamar com um sorriso orgulhoso nos lábios. Tinha terminado.

Aproveitando a rosca de fixação da caixa de controle da partida e acelerador, parafusou uma peça de metal com uns seis cm de comprimento. Na extremidade dessa peça ele colocou o cabo do acelerador.
Com dois “ti-raps” fixou a outra extremidade na base do punho do acelerador.
Pediu-me que testasse a moto.

Quando girasse o punho do acelerador no sentido anti-horário, o punho puxa a alavanca que ele instalou, esta, por sua vez, puxa o cabo do acelerador e o resultado é um sistema rudimentar que Christelle acabaria usando, sem falha, até o final da viagem, quinze dias depois.
Juan tinha trabalhado durante quase três horas.
Eram 21 h e ele tinha deixado de estar com sua família nessa noite de confraternização para nos ajudar. Não quis que pagássemos.

Convenci os franceses a deixar 100 dólares em um envelope para os seus filhos como presente de Reis Magos.
O acelerador inventado por Juan não teria problemas no asfalto, mas não serviria para o rípio por falta de precisão.
Isso, associado ao enorme bloqueio psicológico de Christelle, dava o “coup de grace” aos planos de chegar de moto até Ushuaia.

Meus amigos não falavam inglês ou espanhol. Não poderia deixá-los ali para continuar a viagem em solo. O problema imediato a ser resolvido (tudo isso enquanto meu jantar cozinhava), seria encontrar um meio de levar a Dakar até o asfalto mais próximo sem que Christelle tivesse que pilotar na terra.
Dali, ela poderia continuar a viagem conosco sem o risco permanente do rípio.

Conseguimos uma camionete de propriedade de Camilo, um gentil morador de Rio Tranquilo que aceitaria sacrificar o seu feriado de 1º. de Janeiro para fazer a viagem de 400 km até Rio Mayo, na Argentina, pela modesta quantia de 250 dólares, mais combustível.

De Rio Mayo, retomaríamos nossa viagem seguindo para Comodoro Rivadávia e, em seguida, para o Norte aonde iríamos ao Uruguai e ao Brasil, voltando para Santiago.

Nosso jantar, relativamente cedo para um dia 31 de Dezembro, ficou delicioso.
Nosso moral melhorou bastante e, às 21hs decidimos declarar que já era meia noite na França e abrimos a garrafa de champanhe sobrevivente da queda de Bernard.

O casal de franceses, exaustos, estressados e doloridos foi dormir cedo e eu peguei o que restava da garrafa de champanhe e fui sentar-me fora, em frente ao lago, junto minha fiel GSA para curtir alguns momentos de reflexão em uma merecida e esperada privacidade.
Que bonitos são os Andes em uma noite de lua! Quem disse que estou sozinho?

Acordamos cedo no primeiro dia do ano. Mais descansados, motivados e animados, nos preparamos para deixar a cabana que nos abrigou para tão singular noite de fim de ano. Camilo Camionete já nos esperava para carregar a Dakar.

Deixamos Rio Tranquilo pela primeira vez viajando para o norte. Precisaríamos retornar perto de 120 km pela mesma estrada em que tínhamos chegado.

Não consigo descrever minha tristeza em ter que fazer o caminho de volta. Christelle viajava na pick up. Bernard e eu, em nossas respectivas motos.

Os efeitos do golpe recebido no dia anterior eram acusados por Bernard. Seu nariz, fraturado, tinha inchado enormemente e seus dois olhos tinham hematomas que lhe davam um ar completamente irreal e ameaçador.

Era como se ele tivesse saído de uma grande briga de bar.
Disse-me que seu corpo doía em função do impacto com o planeta.
Notei-o muito inseguro ao retomar o rípio e deixei-o, neste caso, totalmente à vontade para poder encontrar seu próprio ritmo e velocidade.

Mais uma vez, via passear diante de nossos olhos aquelas montanhas que tanto admiramos no dia anterior.

Eu sabia que uma vez passada a fronteira Argentina, as montanhas cederiam lugar a planícies Patagônicas

Cruzamos a fronteira em Balmaceda. Vilarejo com ares de fim de mundo percebemos que nossas motos não tinham sido abastecidas desde o dia anterior. Perguntamos no quartel de Carabineros onde poderíamos conseguir um pouco de gasolina para as motos. Gentilmente, o oficial de polícia informou que o posto de gasolina mais próximo estava em Rio Tranquilo, a 120 km dali. Exatamente de onde vínhamos... Eu sorri, agradeci e estava pronto a me dar um tiro na cabeça se conseguisse roubar o seu revólver, quando ele completou que se estivéssemos dispostos a pagar mais caro, ele poderia conseguir uns trinta litros com sua cunhada que normalmente armazenava gasolina em sua casa.

A opção da cunhada não tinha preço!

Abastecemos as duas GS e fiquei satisfeito não só por conseguir a gasolina, mas, sobretudo, por não ter sido obrigado a dar um beijinho na cunhada do carabineiro.

O método de abastecimento era na base da mangueira e a cada vez que ela enchia o galão de plástico para, através de um funil, colocar no tanque da moto, ela enchia sua boca de gasolina e cuspia no chão... Bravo homem, o irmão do carabineiro. Espero que ele não tenha o hábito de fumar.

Com as motos devidamente abastecidas, partimos para o posto de fronteira onde novamente faríamos os trâmites de Imigração e Alfândega.

Acho engraçadíssimo que, como em qualquer fronteira, o esporte local favorito é falar mal do pessoal do outro lado.

Os chilenos, sem problema algum, anunciaram que teríamos dificuldades em declarar a moto que se encontrava na carroceria da camionete de Camilo.

Lembraram que fizéssemos a declaração da moto independentemente da camionete, pois esta última voltaria vazia para o Chile.

Do lado Argentino, a coisa engrossou. Os agentes “hermanos” não queriam aceitar o fato que a pick up de Camilo voltasse sem a moto para o Chile. A moto veio no caminhão, volta no caminhão.

Expliquei aos argentinos que a moto tinha sofrido avarias em uma queda e que, no Chile, país muito mais “atrasado” do que a Argentina, não haveria condições técnicas para repará-la.

Precisávamos levar a moto a uma cidade moderna, importante e com recursos como Comodoro Rivadavia onde encontraríamos técnicos à altura da tecnologia de uma BMW.

Não só o agente de alfândega cedeu graciosamente a meus argumentos, como me pediu que aguardasse enquanto ele me conseguia um par de endereços de oficinas bacaninhas que poderiam reparar a moto em Comodoro, a 500 km dali.

Encerrados os trâmites de alfândega, e após uma espera de uns 45 minutos, hora do almoço, fomos recebidos por três soldados que faziam seu serviço militar nesse canto remoto da Argentina.
Um deles, com traços morenos, típicos do norte do país, fez-me as perguntas de rotina:

De onde vem? Para onde vai? Quanto tempo fica na Argentina, etc. Estava bastante intrigado que três europeus (lembro a vocês que eu viajo com um passaporte espanhol) andassem de moto por aquelas bandas.

Tendo meu passaporte Espanhol na mão, sorriu e perguntou-me como é que um estrangeiro podia dominar tão bem o castelhano...

Foi o toque de humor que me rendeu o dia

Infelizmente, fui o único a perceber o absurdo da pergunta.

Ao finalizar os trâmites, já tínhamos nos transformado em amigos dos agentes de aduana e migração.

Pediram para fazer fotos de nossas motos e fizeram mil recomendações para que tivéssemos cuidado naquele trecho de 250 km de rípio até Rio Mayo.

Assim, depois de desejar a todos um Feliz Ano Novo, continuamos Janeiro adentro, em uma viagem de mais de quatro semanas que ainda renderia boas histórias.

Não cheguei a Ushuaia. Ela continua ali.

Um dia voltarei para fazer novamente essa rota, aproveitando para tornar a encontrar Juan Boteco e Camilo Camionete que seguramente se lembrarão de nós.


Essa passagem de ano, esse reveillon, e essa gente por sua singularidade ficarão sempre em nossas memórias.


Ricardo Lugris